Em conexões hidráulicas, é comum o uso de diferentes tipos de rosca. Saiba o que observar para evitar confusões que podem gerar consequências graves durante a manutenção e os reparos.
Em sistemas hidráulicos, hoje são utilizados terminais roscados com roscas métricas ou em polegadas — e o mesmo se aplica às conexões e adaptadores. Como na maioria dos casos não há uma identificação clara desses componentes, é fácil ocorrer confusão durante manutenções ou reparos, o que pode gerar consequências sérias.
Os sistemas hidráulicos contam com uma grande quantidade de conexões e adaptadores hidráulicos. A variedade disponível é impressionante: há versões para diferentes faixas de pressão, com uma ampla gama de geometrias de conexão, tipos de rosca e formas de vedação.
As conexões e adaptadores hidráulicos têm a função de unir diferentes subconjuntos e/ou componentes de um sistema hidráulico. Elas estão sujeitas a pressões de trabalho cada vez mais elevadas, além de picos de pressão que muitas vezes superam o limite de cálculo original. Pressões de trabalho superiores a 500 bar não são incomuns. Além disso, esses componentes enfrentam cargas significativas, que podem variar conforme o ambiente — sejam elas de natureza mecânica, térmica ou até mesmo química.
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Contexto técnico: Afinal, como os tipos de rosca se diferenciam?
Nas conexões hidráulicas, é comum o uso de roscas métricas e roscas em polegadas, que se diferenciam principalmente pelo sistema de medição, pelo perfil dos filetes e pelo passo da rosca. Em países fora da Europa, especialmente nos Estados Unidos, são amplamente utilizadas as siglas UN e UNF, que se referem, respectivamente, ao padrão de rosca americana Unified National Thread Series e à sua versão de passo fino (Unified National Fine).
O perfil do filete descreve a forma dos filetes da rosca, especialmente o ângulo entre suas faces laterais. Já o passo da rosca indica a distância que uma rosca avança a cada volta completa.
Por exemplo, uma rosca M12x1,5 possui um passo de 1,5 mm — ou seja, a cada rotação completa, o parafuso penetra 1,5 mm na furação.
Uma série padronizada de roscas (ou série normalizada) define um conjunto de especificações técnicas como diâmetro, passo e tolerâncias. Essas normas garantem que elementos de fixação, como parafusos e porcas, se encaixem com precisão, mesmo quando são fabricados separadamente. A série mais conhecida é a rosca métrica ISO (M).
Pode até encaixar… mas conexão frouxa não é confiável!
Tanto os fabricantes quanto os operadores de máquinas e equipamentos são legalmente obrigados — por leis, normas e regulamentos técnicos — a garantir a máxima segurança na operação desses sistemas.
Um passo importante nesse sentido é a atualização da norma DIN 3859, que passou a exigir a identificação obrigatória entre roscas paralelas métricas e roscas paralelas em polegadas (conforme DIN EN ISO 228-1). A norma determina que as roscas em polegadas devem ser claramente identificadas com uma marca (entalhe) na área de chaveamento, reduzindo o risco de erros (ver Figura 2a).
O prazo de transição para cumprimento da norma se encerrou em 31/12/2024. No entanto, a prática mostra que ainda existem muitos componentes sem identificação adequada disponíveis no mercado, instalados em máquinas ou até sendo aplicados em novos projetos.
Quando o profissional analisa com atenção os elementos de conexão hidráulicos, percebe que — devido à própria exigência da norma DIN 3859 — nem todos os componentes disponíveis no mercado são obrigatoriamente identificados. Com isso, muitos tipos de rosca continuam sendo difíceis de diferenciar apenas pelas suas formas geométricas e dimensões, sendo necessário o uso de instrumentos específicos, como calibradores de rosca (ver Figura 2b).
Essa limitação faz com que, na prática, conexões roscadas muitas vezes parecem se encaixar corretamente em diferentes tipos de furações roscadas padronizadas (ver Figuras 3 e 4), mesmo que, na verdade, não ofereçam uma conexão segura nem resistente à pressão.
Figura 2a: Conector com rosca em polegadas identificado por entalhe na área de chaveamento
Figura 2b: Calibrador de rosca
Figura 3 (esquerda): Furação roscada formato X
Figura 4 (direita): Furação roscada formato W, compatível com conexões métricas e BSP
- Rosca métrica: DIN ISO 6149-1
- Rosca UN/UNF: ISO 9974-1 e ISO 11926-1
- Rosca BSP: DIN EN ISO 1179-1
Os furos roscados e os pinos roscados das conexões hidráulicas muitas vezes se diferenciam apenas em detalhes sutis. Isso aumenta o risco de que uma conexão hidráulica com rosca G 1/2″ seja aparafusada, sem grande resistência perceptível, em um furo roscado M22x1,5.
À primeira vista, a conexão pode até parecer correta. No entanto, essa união entre dois tipos diferentes de rosca não suporta, na maioria dos casos, a pressão de trabalho prevista — podendo inclusive se romper sob condições adversas. O resultado pode ser acidentes graves com risco à integridade física e/ou danos ambientais significativos.
Além disso, paradas não planejadas e tempos de reparo são consequências que também não devem ser ignoradas.
Menos é mais
A norma de segurança harmonizada DIN EN ISO 4413 estabelece que, em um sistema hidráulico, as aberturas de conexões, as roscas e os elementos de fixação devem ser limitados ao menor número possível de séries normalizadas.
Vale a pena consultar os manuais técnicos, que destacam de forma clara na nota explicativa:
“Quando mais de um tipo de conexão roscada conforme normas ISO é utilizado em um mesmo sistema, existe um risco elevado de erro entre determinados tamanhos de diferentes séries de conexão — o que pode causar vazamentos e falhas graves no sistema de conexão.
Por mais desejável que seja a padronização nas séries normativas utilizadas, a realidade prática mostra um cenário diferente. Na manutenção, é comum nos depararmos com máquinas e equipamentos que contam com sistemas hidráulicos montados de forma bastante heterogênea.
Essa diversidade se torna ainda mais crítica quando a manutenção precisa ser feita sob forte pressão de tempo, como em casos de falha ou parada não planejada — o que aumenta significativamente o risco de erros entre os tipos de rosca utilizados e, consequentemente, de danos graves.
Além disso, mesmo que os fabricantes de máquinas sigam fielmente as exigências da DIN EN ISO 4413, na prática do dia a dia hidráulico ainda existem situações em que o risco de erros entre conexões permanece — e pode representar um perigo real.
Mais sobre isso no próximo parágrafo.
Atenção: risco de confusão!
Mesmo que roscas métricas e em polegadas (zoll) se diferenciam principalmente pela unidade de medida e pelo passo, elas são tão semelhantes entre si que uma montagem “misturada” pode ser mecanicamente possível.
Para alguém sem conhecimento técnico, essa confusão geralmente não é perceptível de imediato — a conexão hidráulica aparenta estar “firme” e “vedada sob pressão”. No entanto, ao pressurizar o sistema hidráulico, o corpo da conexão pode se romper e se soltar, com risco de acidentes graves.
Profissionais experientes costumam identificar uma combinação incorreta de roscas por uma leve folga durante a montagem da conexão roscada. Porém, nem todos os colaboradores envolvidos na manutenção hidráulica têm essa vivência ou sensibilidade técnica durante a instalação.
Por isso, recomendamos fortemente que os treinamentos obrigatórios de segurança oferecidos pelas empresas incluam a conscientização sobre o risco de trocas entre tipos de rosca e os perigos associados a esse erro.
A tabela a seguir apresenta a variedade de tipos de rosca existentes e a consequente alta probabilidade de confusões entre eles.
Identificação clara, conhecimento preciso
Desde a fase de projeto de novas máquinas, é possível reduzir potenciais fontes de erro adotando medidas simples — como a identificação sistemática das roscas, por exemplo, com a letra “M” para indicar roscas métricas.
Ainda que as normas vigentes não exijam esse tipo de marcação, as empresas deveriam adotar essa prática de forma voluntária, pois ela facilita significativamente a montagem futura. Quando combinada com a já citada recomendação de limitar ao máximo o número de séries normativas utilizadas, essa abordagem contribui para minimizar problemas desde as etapas iniciais do projeto.
Para garantir uma montagem correta e segura, é essencial utilizar elementos de conexão padronizados, assim como roscas e sistemas de vedação conforme normas técnicas. Além disso, é altamente recomendável promover um treinamento aprofundado dos montadores e das equipes de manutenção sobre tecnologia de conexões hidráulicas, afinal, perigos conhecidos são perigos evitados.



